Nampula à Ilha de Moçambique

Aterrámos em Nampula já de noite. Nampula, capital da província com o mesmo nome e a terceira maior cidade de Moçambique. O nosso destino: Ilha de Moçambique. Mas para lá chegar faltam ainda percorrer alguns kilómetros. Decidimos com antecedência que pernoitaríamos nessa cidade.

Após alguma negociação, um taxista levou-nos do aeroporto ao Hostel Rubi, sediado numa antiga casa colonial remodelada.

«Amanhã cedo queremos ir para a Ilha de Moçambique.», «Ficam com o meu contacto e posso-vos levar», «A quanto?», «2000 meticais», «oh, isso é muito. Costumam levar por 1000 meticais. Só vamos por mil», «oh menina, assim não ganho nada…(…) mas tá bem».

Despedimo-nos e marcamos a hora para o dia seguinte. Às 7h da manhã no mesmo local onde nos deixou.

Dormimos confortavelmente num quarto partilhado com pequeno-almoço por 500 meticais, o que tendo em conta o câmbio euro-metical da altura (agosto de 2016) dava aproximadamente 6 euros.

Na manhã seguinte, um carro vermelho com um novo taxista aguarda-nos à frente da moradia à hora combinada.

Vi pela primeira vez a cidade à luz do dia. À primeira vista chamou-me a atenção que Nampula é uma cidade incrivelmente limpa, com vários caixotes do lixo espalhados pela cidade, em contraste com Maputo, que é surpreendentemente suja e poluída.

Com largas avenidas, passeios arranjados e ornamentados com acácias, Nampula situa-se num planalto, cercada de majestosas formações rochosas.

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Estrada principal de acesso a Nampula, onde mais ao longe sobressaltam as formações rochosas.

Seguimos pela estrada nacional em direcção a Noroeste, desejosos de chegar à capital da África Oriental Portuguesa entre os anos de 1570 e 1898, a Ilha de Moçambique.

Nunca pensei que fosse aproveitar aquelas duas horas de separação da cidade à Ilha e aprendesse tanto com o homem que dirigia ao meu lado.

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Venda de carvão mineral à beira da estrada nacional (Nampula-Nacala)

Passados nem 5 minutos de termos saído de Nampula, peço-lhe para parar à beira da estrada, movida perante a espetacularidade do cenário que nos rodeia. No nosso lado esquerdo ergue-se uma montanha rochosa colorida de cinza claro com pequenos pontos minúsculos. À nossa vista, não passam de minúsculos homens que deambulam naquele relevo suave.

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Uma simples pedreira.

Pergunto-lhe o que aquelas pessoas ali estão a fazer, ao qual ele me responde «eles vão buscar pedra para fazer casas, usam-nas para fazer a fundação».

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Carvoeiro

Pela estrada cruzamo-nos inúmeras vezes com homens que levam e trazem a bicicleta carregada de fardos negros. Volto-lhe a perguntar, ao qual ele me responde com o sotaque tipicamente moçambicano «São os carvoeiros, carregam carvão mineral para vender na cidade. Vão buscá-lo lá em Nacavala, a cerca de 50 km de Nampula. O carvão sai de Tete, vai pela via ferroviária até Nacala e ai é exportado.», «O que fazem com o carvão?», «Muita coisa. Pá cozinhar, assar galinha, aquecer a água para tomar banho.».

A viagem continua e eis que num ápice consigo captar com a câmara a imagem de montículos de pedras cuidadosamente colocados à beira da estrada. Recordo-me da pedreira que fotografei instantes atrás.

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À beira da estrada vende-se pedra.

Acolá observo mulheres rodeadas de crianças que lavam a roupa num riacho, outras deambulam pela estrada equilibrando todo o tipo de fardos na cabeça, observo casas simples e despidas de ornamentos, surpreendo-me com um homem que estende uma galinha morta aos carros que passam, famílias acocoram-se junto à sombra dos volumosos cajueiros, vendem castanha de caju, daquela «bem boa».

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Ao longo da estrada mulheres equilibram fardos de palha à cabeça.

O nosso taxista é extremamente cuidadoso com a condução. É um homem interessante, respondendo a todas as perguntas que lhe coloco, falando de tudo: «Em agosto não estamos no tempo das castanhas, mas as famílias têm celeiros onde as armazenam para vender nesta altura».

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À frente de uma casa simples foram cuidadosamente colocados montículos de raízes de mandioca para venda.

Mais à frente vejo uma linha ferroviária, que é «a linha do colono», ou seja, construída pelos portugueses. «Estão a remover a linha ferroviária do colono para exportar para o Malawi» diz o motorista. A conversa segue para a temática da presença chinesa em Moçambique,  «(…) os chineses fizeram um contrato de exploração com Moçambique por 60 anos. Só vão embora quando não restar nada… uma desgraça!».

A certa altura retirei da mala o lanche que me foi dado no avião, uma sandes e um sumo. Ofereço-lhe o pacote de sumo. Ele aceita e bebe, atirando-o vazio logo a seguir pela janela fora. Indignada chamo-o de forma afável à atenção.

«Não se preocupe. Os pequenos hão-de apanhar isso do chão e fazer de balão para brincar. Aqui aproveita-se tudo!».

Com os Joões já acordados lá atrás, começamos a avistar o azul índigo do mar e uma pequena porção de terra. Estamos perto de chegar à ilha que em 1991 foi listada pela UNESCO de Património Mundial da Humanidade, a inesquecível Ilha de Moçambique.

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Após duas horas de viagem avistamos o azul índigo do mar e a Ilha de Moçambique.

O leitor que chegou até aqui estará certamente curioso de ver as fotos e ler as histórias que aconteceram na Ilha de Moçambique. Deverá ficar atento aos próximos posts.

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2 thoughts on “Nampula à Ilha de Moçambique

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