Papaias e abacates!

São raras as esquinas das ruas de Maputo que não têm vendedores de fruta, sapatos, amendoins, cajus, mercearia, capulanas, jornais, revistas, fixando-se em determinado sítio, que não deve ou pode ser ocupado por outros.

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Vendedor de fruta em Maputo

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Vendedoras de amendoins, junto aos terminais dos chapas  que saiem do “Museu”

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Venda de sapatos na rua, junto ao “Museu”, que segundo o Sr. Mateus vêm da África do Sul e por isso têm mais qualidade que os das lojas.

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Moçambicano observa as manchetes dos jornais que estão organizados no passeio do início da Av. 24 de Julho.

Na esquina de uma rua perpendicular à Av. 24 de Julho, perto do Mimos, o restaurante italiano de predileção da malta, encontram-se diariamente mulheres a vender frutas, legumes e roupas.  Uma delas é a a Lúcia e é a ela que costumava comprar os abacates.

A primeira vez que passei na banca da Lúcia e tentei regatear o valor da fruta, a Lúcia foi inflexível, repetindo  constantemente “A fruta está cara Senhora”,dizendo-o de maneira ríspida, pelo que acabei por não querer lá voltar tão cedo. O que é certo é que não encontrava pelas bancas da redondeza abacates como os da Lúcia  e ela fazia um preço justo. Voltei a lá ir. Supreendi-me com a sua simpatia, que mudou como a noite para o dia.

Comecei a ser cliente da Lúcia. A ela comprava os tomates, as batatas, as atas (fruta semelhante às anonas), as cebolas, as cenouras, as bananas. Só não lhe comprava as papaias, que não se equiparavam à banca que estava dentro do jardim de uma casa colonial, circundada por duas majestosas palmeiras, no lado oposto da avenida.

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Antiga casa colonial na Av. 24 de Julho, que alberga uma banca de venda de frutas e legumes, construída em chapa.

Como cliente habitual destas duas bancas, comecei a criar uma relação agradável com estes vendedores e decidi que a Lúcia ia constar do meu portfólio fotográfico de Moçambique.

Um dia, à hora do almoço, passei pela rua das bancas à procura da Lúcia. Mas não a vi sítio do costume. Continuei o meu caminho. Mal me afasto uns dez passos ouço “Olá Senhora”. Era a Lúcia, que estava a caminhar de volta para a banca.

– Olá Lúcia. Era mesmo à tua procura que eu estava. Vim aqui para te perguntar se te posso tirar uma foto.

– Está à vontade. – responde prontamente. – Vai viajar?

A Lúcia percebeu imediatamente que o meu regresso estaria para breve, e como é comum à maioria dos africanos, não se intimidou perante a objectiva da minha máquina fotográfica.

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Lúcia, a vendedora de frutas e legumes

Abri a mala  para tirar uma nota de 20 meticais da carteira, o que não é muito. Dá para fazer quase três viagens de chapa.

Assim que a Lúcia reparou que eu lhe queria entregar dinheiro por ter sido tão amável comigo, disse-me sem demora “não precisa, não precisa”. Percebi que ela me queria fazer ver que não tinha aceitado que eu lhe tirasse foto a troco de dinheiro, mas porque simpatizava comigo, assim como eu simpatizei com ela. Insisti e coloquei-lhos na bolsinha da sua bata vermelha. Sorriu e agradeceu.

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